Mídia Impressa - Treinadores da Alegria - Teatro Treinamento in Company

Imprensa

fotos de alta definição

Veja algumas das matérias publicadas sobre nossos trabalhos:

Estadão virtual Ministério do Meio Ambiente eco@gente
Jornal da USP Jornal Pró-lata Planeta na Web

Cultura

Especial/Meio Ambiente

TEATRO

Brincar de aprender

Izabel Leão

Com chapéu de palha colorido, macacão branco cheio de retalhos de várias cores salpicados e um baú repleto de tranqueiras, Lelé e Dacuca, uma dupla de palhaços animados e brincalhões, ensinam nas fábricas e escritórios, de forma lúdica e divertida, como contribuir para melhorar e preservar o meio ambiente. Através de pequenas intervenções teatrais, o grupo Treinadores da Alegria vem, há três anos, invadindo as empresas para mostrar que cada indivíduo é responsável pelo bom funcionamento desse complexo organismo chamado planeta Terra.

Constituído por Eduardo Mancini, Cleo Moraes e Milton Almeida, o grupo procura conscientizar empresários sobre a importância de contribuir de alguma forma para manter o equilíbrio ecológico do ambiente em que vivem antes que o problema se torne irreversível.

O instrumento de conscientização dos artistas são peças teatrais rápidas, objetivas e divertidas com personagens clownescos, — os tradicionais palhaços —, que despertam grande empatia nos espectadores. Todas as peças são representadas buscando uma interatividade com a platéia, ou seja, o público atua diretamente com os personagens respondendo às perguntas, participando das charadas e brincadeiras. "Acreditamos que através do teatro interativo é possível alertar, informar e educar as pessoas de forma direta, permitindo assimilação eficaz e duradoura", conta Eduardo Mancini, coordenador do grupo.

A atriz Cleo Moraes, que interpreta o palhaço Lelé, diz que os trabalhadores da fábrica acabam incorporando os dois personagens depois de conviverem com eles vários dias na empresa. "Lelé e Dacuca tornam-se cúmplices do público."

O grupo Treinadores da Alegria é uma cooperativa de atores que atua no mercado há quase 15 anos, com trabalhos de grande reconhecimento junto às Secretarias de Cultura do Município e do Estado de São Paulo. Alguns de seus espetáculos foram contemplados com o Prêmio Estímulo da Caixa Econômica Federal.

Sem palco e
sem cenário

Diversos aspectos do meio ambiente são abordados nos espetáculos, como desequilíbrio do meio ambiente, poluição, resíduos radioativos, gases tóxicos, efeito estufa, chuvas ácidas, camada de ozônio e queimadas em florestas. "Depende da necessidade da empresa", observa Eduardo Mancini. "Ela passa o briefing determinando o que deve ser abordado. Desenvolvemos o roteiro de acordo com a necessidade de cada cliente."

Com linguagem simples e clara sobre questões do dia-a-dia, todos os espetáculos são feitos no mesmo plano em que o público se encontra. Não há palco nem cenário. As apresentações acontecem em cada setor da empresa, como manutenção, almoxarifado, linha de montagem.

No esquete "O lixo do lixo", que trata da coleta seletiva, Lelé e Dacuca entram no ambiente de trabalho dos funcionários cantando e tocando, várias vezes, uma sanfona e um violão de brinquedo: "Lixo, lixo, lixo, separe tudo, você não é bicho".

Aos poucos as pessoas vão se juntando ao redor da dupla, tentando entender o que se passa ali. Os personagens começam a discutir porque um deles errou a letra e está atrapalhando. Só chegam a um acordo quando os atores percebem um bom número de pessoas na platéia. Através de apostas e charadas que abordam temas atuais, vão propondo conceitos gerais que podem ser utilizados pelos funcionários na própria empresa e na educação dos filhos em casa.

"SOS Planeta Terra" é outro tema que procura desmistificar assuntos ligados ao meio ambiente que aparecem na mídia, mas não são muito bem explicados, gerando muita confusão. É o caso do fenômeno El Niño, CFC, efeito estufa, chuvas ácidas, poluição do solo, da água e da atmosfera. "O princípio de todas as peças é sempre o mesmo, o que muda são os assuntos abordados", diz Mancini.

O palhaço Lelé entra em cena com um fantoche de uma menina colocado sobre uma mão. A garota tem problemas de respiração, entra ofegante, quase sem respirar. Dacuca, interpretado por Mancini, é o pai que se mostra preocupado com o problema da filha e no decorrer do bate-papo é abordada a questão do rodízio, o problema das chaminés das fábricas, tudo o que está relacionado com poluição e que causa problemas respiratórios. De repente aparece o Tantan, um jacaré que se encontra deprimido porque não consegue mais viver no rio cheio do lixo que as pessoas jogam nas ruas e é levado para as águas. "Em alguns momentos", conta Cleo, "nos aproximamos mais da platéia e passamos a perguntar de que forma eles podem contribuir para não prejudicar o meio ambiente".

Aprendizado e
divertimento

A Asea Brown Boveri (ABB), localizada em Osasco, foi uma das empresas em que o grupo marcou presença falando sobre a reciclagem do lixo. Sem contar a Coca-Cola, Mercedes Bens, Avon, Cosipa, Banespa, Unisys, Alcoa, Sesc, Méritor do Brasil e Prefeitura de São Paulo. 

Segundo Aldo Carrasco, engenheiro do Meio Ambiente da ABB, os Treinadores da Alegria proporcionaram à empresa um resultado muito positivo. "Todas as dúvidas foram esclarecidas. Embora seja uma mudança cultural muito grande, sente-se o efeito do trabalho gradativamente. A maioria dos funcionários passou a aderir à proposta da empresa, depois de entender mais claramente a importância de se fazer a reciclagem do lixo. Nosso objetivo era contribuir para a redução do lixo nos aterros sanitários que se encontram cada vez mais saturados."

Carrasco diz ainda que a vantagem de trabalhar com o artifício do teatro é conseguir ensinar as pessoas de uma forma democrática e divertida sem impor normas e posturas. "Através desse tipo de apresentação o pessoal aceita e consegue diluir mais facilmente os conceitos. Há uma receptividade muito grande."

Feliz com o trabalho que vem realizando, Mancini conta que tanto o teatro quanto o tema meio ambiente são as coisas de que mais gosta. "Estou aliando dois itens muito fortes em minha vida. Acredito estar, através desse trabalho, comunicando as minhas idéias. Aliás, a grande proposta do teatro é levar idéias para um público que não está acostumado a ir a esse tipo de entretenimento."

Cleo, o palhaço Lelé, acredita estar dando às pessoas a oportunidade de aprender e se divertir ao mesmo tempo. "Faço teatro desde os 16 anos de idade. Fazer um espetáculo que se preocupa em conscientizar a platéia através do meu trabalho de atriz é muito prazeroso para ambas as partes."

Um fator que contribui e muito para que a dupla tenha sempre sucesso no que faz é a cumplicidade que existe entre ambos. "Em cena nossa cumplicidade é enorme. Várias coisas que acontecem durante o espetáculo surgem de repente, sem ensaio prévio. Temos um grande respeito um pelo outro em cena", alega Mancini.

Quem pensa que esse é o único trabalho desenvolvido pelo grupo está redondamente enganado. Mancini conta que fazer o marketing do grupo também faz parte da jornada de trabalho. "Queremos expandir, levar nossas peças para praças e parques públicos."

O grupo está em busca de patrocínio de empresas que tenham interesse em participar do Projeto Educação Ambiental em Parques Públicos Estaduais. Mancini informa que já tem a autorização da Secretaria do Meio Ambiente para que atuem nesses espaços. Outro projeto interessante é realizado no Sesc de São Carlos, onde é feito o reaproveitamento do lixo, transformando-o em objetos e brinquedos. "Fazemos a sucata criar vida e forma", observa Cleo. "Criatividade e bom humor são instrumentos de preservação do meio ambiente."

 

[rodape.htm]