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Entrevista
Palhaçadas Ecológicas

Integrante dos Treinadores da Alegria, Eduardo Mancini (à direita na foto abaixo) fala aqui sobre o trabalho do grupo, que, através das mensagens dos palhaços Lelé e Dacuca, vem espalhando em grandes empresas, como Coca-Cola, Basf, Petrobras, Siemens e Mercedez-Bens, as sementes da consciência ecológica.

Por Fátima Afonso

Fotos: Arquivo Treinadores da Alegria

PLANETA – Você é formado em administração de empresas e fez pós-graduação em marketing, uma área bastante distante de atividades teatrais. Como nasceu a idéia de criar os Treinadores da Alegria?
Eduardo Mancini –
Na realidade, quando trabalhava na área de administração e marketing, eu desenvolvia algumas palestras, principalmente voltadas para atendimentos telefônicos. E achei que o teatro poderia ser um elemento para melhorar essas apresentações. Nessa época, eu tinha uma agência de publicidade, cujo principal cliente representava 80% do meu faturamento. Com o advento do governo Collor, perdi essa conta e não tive condições de continuar com a agência de publicidade. Como já estava muito envolvido com o teatro amador, resolvi arriscar nessa área. A partir de 1991, fui então me dedicar exclusivamente ao teatro. Com o teatro-empresa, área de atuação dos Treinadores da Alegria, venho trabalhando de cinco anos para cá.

PLANETA – Quantas pessoas compõem o grupo?
Eduardo Mancini –
O Treinadores é composto de três pessoas, mas, por enquanto, só trabalhamos com dois personagens, o Lelé e o Dacuca. Eu revezo com a Cléo Morais e o Milton de Almeida. Sempre trabalhamos com o artifício de bonecos também, que pode ser um jacaré, uma menina, etc. O jacaré nós usamos bastante por causa da questão ambiental; a menininha representa a visão dos filhos, da criança.

PLANETA – Além da conscientização ecológica, com que outros temas vocês trabalham? Por exemplo, uma campanha contra a Aids...
Eduardo Mancini –
Nós não costumamos trabalhar muito com as questões de saúde, como Aids, DST (doenças sexualmente transmissíveis), drogas, alcoolismo. Nós acreditamos que esse é um tipo de conscientização que precisa de um especialista. Se, de repente, fazemos uma apresentação voltada, por exemplo, para a qualidade de vida, na qual tratamos de temas como estresse e atenção à família, podemos dar um alerta para os pais repararem um pouquinho mais nos filhos adolescentes, no comportamento deles. Mas não dá para entrar nesse assunto a fundo.

PLANETA – E, dentro dos temas voltados para o meio ambiente, quais os mais solicitados pelas empresas?
Eduardo Mancini –
O principal, com certeza, é a coleta seletiva de lixo. Primeiro porque a sua implantação vem crescendo nas empresas; segundo, porque a forma com que nós fazemos a teatralização da coleta seletiva traz resultados muito bons.

PLANETA – Em que área da empresa vocês têm mais dificuldade em trabalhar?
Eduardo Mancini –
Sem dúvida, na área administrativa. Quanto mais instruída a pessoa, maior dificuldade ela tem de se adaptar à coleta seletiva, por exemplo, porque ela acredita que o seu trabalho é mais importante do que o meio ambiente e acha que não tem de ficar separando papel de um lado e plástico do outro. Já quando você leva o espetáculo para a área fabril, por não estarem acostumados a ir ao teatro, os funcionários encaram aquilo como uma coisa diferente, eles têm respeito por nós. Então, elas ouvem a mensagem e acabam fazendo uso daquilo no seu dia-a-dia. O pessoal administrativo muitas vezes já tem poder financeiro para ir aonde bem quiser: ao teatro, ao cinema e até viajar para o Exterior. Por isso, eles não têm esse tipo de respeito, não ligam para aquela peça de teatro-empresa, que não conta com efeitos especiais, mas é um teatro só de texto e de atores.

PLANETA – Você diria que os funcionários da área administrativa acham que já têm consciência suficiente e não precisam ouvir mais esse tipo de ensinamento?
Eduardo Mancini –
Existe um pouco disso, sim. No caso da coleta seletiva, porém, o problema é mais sério; ocorre porque uma parcela desses funcionários considera o seu trabalho, como eu disse, mais importante do que ficar separando um papel de um copinho de café...ão todos meus amigos.

Fotos: Arquivo Treinadores da Alegria

PLANETA – Então, acabam optanto por jogar tudo no lixo mais próximo...
Eduardo Mancini –
Sim. Com o tipo de trabalho que desenvolvemos, no entanto, se a pessoa continuar tendo atitudes como essa, seus colegas vão cobrar dela, porque nós ridicularizamos essa situação durante toda a peça.

PLANETA – A implantação da ISO 14.000, a certificação ecológica, é bastante trabalhosa, exige a observação de muitos itens. Vocês têm sido convocados para ajudar nesse processo?
Eduardo Mancini –
Esse vem sendo o segundo trabalho mais feito por nós. Nesse caso, fazemos um apanhado geral sobre meio ambiente: falamos de todas as questões de lixo, de poluição de ar, água e solo, de efeito estufa, gases tóxicos, economia de água e luz elétrica, e tratamos, de forma bem leve, da política de gestão ambiental, porque às vezes os auditores que vão dar o certificado ecológico para a empresa querem saber se o funcionário está inteirado sobre isso.

PLANETA – Os espetáculos do grupo demoram, em média, 20 minutos. Esse tempo é suficiente para alcançar o objetivo na conscientização?
Eduardo Mancini –
Nós temos espetáculos que vão de 15 a 50 minutos. Eu acho que mesmo o de 50, no qual falamos praticamente sobre todos os assuntos relacionados a meio ambiente, e em alguns casos vamos a fundo, não é suficiente para isso. Na verdade, o teatro não tem a função de modificar a pessoa naquele momento, mas de motivá-la a se transformar. Comparando o teatro com uma palestra, porém, eu acho que a mensagem do teatro vai ficar dez vezes mais na cabeça do espectador. Dali a um ano, o indivíduo vai ainda ligar determinados fatos ao que os palhaços falaram sobre efeito estufa, por exemplo. Normalmente, os palestrantes são especialistas em assuntos específicos e não têm um tipo de comunicação adequada para o grande público; eles falam muito em termos técnicos, estão acostumados com isso. Já o teatro tem a vantagem de estar sempre procurando uma forma diferente de atingir o público. De qualquer maneira, nós não fazemos uma conscientização, mas alertamos as pessoas, despertamos a sua atenção pra que tenham um pouco mais de interesse pelos assuntos ambientais...

PLANETA – Vocês nunca pensaram em levar esses espetáculos para as escolas?
Eduardo Mancini –
Na verdade, nós já fizemos muitos trabalhos em escolas. Só que chegou um momento em que a escola começou a nos cansar, porque, além do desgaste do dia-a-dia, começou a haver cada vez menor respeito dos alunos em relação a nós. Por outro lado, surgiram também outros grupos, que trabalham por um preço absurdamente baixo, e não tínhamos mais como conseguir tirar dinheiro daquilo; por isso, acabamos nos afastando das escolas.

PLANETA – O que falta para vocês colocarem em prática o Projeto Educação Ambiental em Parques Públicos Estaduais, que parece já ter sido inclusive autorizado pela Secretaria do Meio Ambiente?
Eduardo Mancini –
Na verdade, nós não temos mais a autorização porque a pessoa que estava entrando no projeto conosco adoeceu e seu substituto não quis dar continuidade a ele. Mas tenho certeza de que, se conseguir patrocinador para bancar a idéia – é o que falta –, a secretaria vai autorizar.

PLANETA – Existem outros grupos no Brasil que fazem um trabalho semelhante ao de vocês?
Eduardo Mancini –
Existem, mas não na área ambiental. Aliás, nós resolvemos nos dedicar ao meio ambiente por dois motivos: porque essa é uma paixão particular do grupo e porque não há muitos especialistas nessa área. Muita gente que faz teatro voltado para questões ecológicas não trabalha as questões ambientais como um todo, mas faz espetáculos voltados para a fauna e a flora. Nós trabalhamos com questões urbanas. Os maiores problemas ambientais de São Paulo, com certeza, são o lixo e a poluição. Então, é isso que precisamos atingir, essas duas coisas ligadas. Nós passamos aqui por problemas sérios de enchente, cujas causas têm a ver com o clima, com a má administração das prefeituras e, nos últimos anos, com a falta de consciência da população, que tem o péssimo hábito de jogar um papelzinho aqui, uma bituca de cigarro ali, etc. Há pessoas que jogam sofá, cama, cadeira, piano, qualquer coisa no córrego. E é isso que, na realidade, procuramos trabalhar.

PLANETA – Existe alguma ligação entre vocês e os Doutores da Alegria?
Eduardo Mancini –
Não. Na verdade, logo que os Doutores da Alegria entraram no Brasil, há dez anos, eu tive uma grande possibilidade de trabalhar com eles. Eu estava fazendo um curso de teatro com a doutora Taís e, inclusive, fui acompanhá-la em uma apresentação no hospital. É um trabalho lindo, pelo qual eu tenho o maior respeito. Só que eu percebi que você precisa estar muito bem para fazer aquele tipo de trabalho, porque cada dia é um problema que se tem de enfrentar, e é necessário continuar divertindo as pessoas. Você chega lá para brincar em um quarto e percebe que determinada criança morreu, por exemplo. Como naquele momento eu não estava passando por uma fase emocional muito boa, preferi desistir.Na verdade, quando começamos a fazer o trabalho em empresas, nosso grupo ainda não tinha nome. Usávamos o nome do meu grupo de teatro, que é o Teatralha e Companhia. Mas eu queria um outro nome para o grupo de teatro-empresa. E um dia, conversando com uma amiga, eu contei-lhe as experiências que estávamos tendo, e ela comentou: “Nossa! Mas vocês estão trabalhando bastante com isso... Qualquer dia, se continuar desse jeito, vocês vão ser os Doutores da Alegria da área de treinamento. Fiquei com aquilo na cabeça e, de repente, pintou o nome: Treinadores da Alegria. Na realidade, é até uma “homenagem” a eles, mesmo porque são todos meus amigos.